{"id":1223,"date":"2020-04-22T09:08:07","date_gmt":"2020-04-22T09:08:07","guid":{"rendered":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=1223"},"modified":"2020-04-22T09:08:10","modified_gmt":"2020-04-22T09:08:10","slug":"saude-a-nossa-primeira-etapa-de-normalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=1223","title":{"rendered":"Sa\u00fade: a nossa primeira etapa de normaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>21 abr 2020<\/em><\/p>\n\n\n<p><em><strong><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-635 alignleft\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata-300x300.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata-300x300.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata-150x150.png 150w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata-768x768.png 768w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata.png 800w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/>Jos\u00e9 Fragata<\/strong><br>Cirurgi\u00e3o Cardiotor\u00e1cico<br>Vice-Reitor da Universidade NOVA de Lisboa<br>Professor Catedr\u00e1tico da NOVA Medical School | Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas<\/em><\/p>\n<p>Desde 2 de mar\u00e7o que o Sistema de Sa\u00fade em Portugal se tem virado, de forma exemplar, para dar resposta \u00e0 pandemia. E isso \u00e9 fruto de um esfor\u00e7o coletivo, muito centrado nos profissionais, mas tamb\u00e9m da boa lideran\u00e7a de topo. Resultado: o aplanamento da curva epidemiol\u00f3gica, que, prolongando a preval\u00eancia viral no tempo, logra, contudo, reduzir o impacto sobre os servi\u00e7os de sa\u00fade.<!--more--> Se continuarmos com as medidas fundamentais que previnem a propaga\u00e7\u00e3o e se tivermos a necess\u00e1ria resili\u00eancia, talvez nos poupemos a cen\u00e1rios vistos noutros pa\u00edses, em que os sistemas de sa\u00fade simplesmente n\u00e3o toleraram a demanda de pico, muito centrada nos cuidados intensivos.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A press\u00e3o para retomar a &#8220;vida normal&#8221;, seja por raz\u00f5es econ\u00f3micas, seja por motiva\u00e7\u00f5es de ordem social, v\u00ea agora uma abertura, depois de termos experimentado a reclus\u00e3o social. Mas o que se passou, entretanto, com o resto da vida? O que aconteceu, por exemplo, aos doentes cr\u00f3nicos ou aos idosos que sofrem de doen\u00e7as degenerativas? \u00c9 dif\u00edcil saber com exatid\u00e3o. As estat\u00edsticas t\u00eam um passo bem mais lento do que o desenrolar da realidade, mas sabemos que os servi\u00e7os de urg\u00eancia, habitualmente muito frequentados, tiveram uma quebra de mais de 50%, que os exames de imagiologia ca\u00edram mais de 95%, que as cirurgias programadas foram maioritariamente canceladas e que grande parte das consultas passaram a ser realizadas remotamente. Desconhecemos o que aconteceu exatamente a esses doentes, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a lista de espera \u00e9 um fator reconhecido de agravamento do seu risco e que compromete a sobrevida. Refiro-me, muito em particular, aos doentes oncol\u00f3gicos, aos candidatos a um transplante e aos doentes cardiovasculares, todos eles normalmente tratados no departamento hospitalar que dirijo e cuja realidade conhe\u00e7o bem. Estes doentes n\u00e3o est\u00e3o infetados pelo coronav\u00edrus, t\u00eam direito a ser tratados e n\u00e3o podem ver a sua oportunidade adiada. Por isso, dever\u00e1 ser para eles a prioridade na retoma \u00e0 vida normal. E como?<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">\u00c9 sabido que, quando a crise se declarou, o nosso SNS n\u00e3o se achava no seu melhor momento, com falta de recursos humanos e d\u00e9fices cr\u00f3nicos de financiamento, originando dificuldades no acesso. A pronta resposta que demos \u00e0 crise &#8211; t\u00e3o tipicamente portuguesa, face a uma qualquer necessidade &#8211; n\u00e3o deve iludir-nos sobre essas mesmas falhas, agora agravadas pela procura de cuidados \u00e0 pandemia. O que trein\u00e1mos, neste intenso m\u00eas e meio, foi a resili\u00eancia em crise, mas n\u00e3o melhor\u00e1mos os meios e a estrutura que j\u00e1 possu\u00edamos e que teremos agora de reativar, a partir do ponto em que estava.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Tamb\u00e9m \u00e9 sabido que os doentes, sobretudo os mais vulner\u00e1veis, t\u00eam, hoje, medo de ir aos hospitais, medo de se poderem a\u00ed infetar. \u00c9 fundamental fazer ganhar neles a confian\u00e7a, demonstrando que os hospitais s\u00e3o seguros, uma vez tomadas as devidas medidas de prote\u00e7\u00e3o, e que ser\u00e1 bem mais perigoso se a\u00ed n\u00e3o receberem o tratamento de que necessitam. Cabe \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, aos profissionais e aos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social ajudarem nesta mensagem de tranquilidade e confian\u00e7a. S\u00f3 assim pode haver cuidados de sa\u00fade.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O modelo que separa os hospitais que tratam intensamente doentes com COVID-19 dos outros, que permanecem, tanto quanto poss\u00edvel, livres desses doentes, parece ser o que melhor serve o desiderato de responder aos doentes cr\u00f3nicos. Para tal, ser\u00e1 necess\u00e1rio neles concentrar agora os meios humanos e financeiros de que precisam para essa resposta acelerada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A retoma dos cuidados de sa\u00fade aos doentes n\u00e3o infetados pelo coronav\u00edrus poder\u00e1 ser, de todas, a mais f\u00e1cil e r\u00e1pida de conseguir: testando sistematicamente todos os doentes a ser admitidos, expandindo as consultas por telemedicina, assegurando-nos de que os profissionais se mant\u00eam saud\u00e1veis, sendo intransigentes no uso<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;&nbsp;<\/span>de meios de prote\u00e7\u00e3o individual e seguindo todas as normas de distanciamento social e de higieniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Portugal foi exemplar no&nbsp;<i>sprint&nbsp;<\/i>do ataque \u00e0 pandemia, mas ganharemos a maratona ao ter capacidade de retomar, a partir de agora, a nossa anterior &#8220;vida normal&#8221;. Faseadamente, sim, e com toda a seguran\u00e7a. Por isso, temos de nos focar na mais priorit\u00e1ria das etapas de normaliza\u00e7\u00e3o: a sa\u00fade de todos os outros Portugueses. Ali\u00e1s, se h\u00e1 coisa que aprendemos com esta pandemia \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 economia sem sa\u00fade.<\/span><\/p>\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">*Artigo publicado na <a href=\"https:\/\/www.sabado.pt\/portugal\/detalhe\/saude-a-nossa-primeira-etapa-de-normalizacao?ref=hp_destaquesprincipais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"S\u00e1bado (opens in a new tab)\">S\u00e1bado<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21 abr 2020 Jos\u00e9 FragataCirurgi\u00e3o Cardiotor\u00e1cicoVice-Reitor da Universidade NOVA de LisboaProfessor Catedr\u00e1tico da NOVA Medical School | Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas Desde 2 de mar\u00e7o que o Sistema de Sa\u00fade em Portugal se tem virado, de forma exemplar, para dar resposta \u00e0 pandemia. E isso \u00e9 fruto de um esfor\u00e7o coletivo, muito centrado nos profissionais, &#8230; <a title=\"Sa\u00fade: a nossa primeira etapa de normaliza\u00e7\u00e3o\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=1223\">Ler mais <span class=\"screen-reader-text\">Sa\u00fade: a nossa primeira etapa de normaliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1223"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1229,"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1223\/revisions\/1229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/covid360.unl.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}