{"id":2261,"date":"2020-06-01T07:57:33","date_gmt":"2020-06-01T07:57:33","guid":{"rendered":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=2261"},"modified":"2020-06-01T07:57:36","modified_gmt":"2020-06-01T07:57:36","slug":"o-virus-e-democratico-a-covid-19-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=2261","title":{"rendered":"O v\u00edrus \u00e9 democr\u00e1tico, a COVID-19 n\u00e3o \u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>1 jun 2020<\/em><\/p>\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-2111\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros-300x294.png\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros-300x294.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros-768x753.png 768w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros.png 800w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><strong><em>Pedro Pita Barros<br \/><\/em><\/strong><span style=\"color: #000000;\"><em>Professor Catedr\u00e1tico da Nova SBE, Universidade NOVA de Lisboa<\/em><\/span><strong><em><br \/><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n<p>Tem sido frequente dizer-se que o v\u00edrus da COVID-19 afecta toda a gente e como tal \u00e9 um v\u00edrus democr\u00e1tico. Mas tamb\u00e9m se tem dito que a COVID-19 aumenta as desigualdades (sociais) existentes. Uma vez mais, como noutras \u00e1reas, parece que a pandemia leva a incerteza e a opini\u00f5es divergentes, sendo a ci\u00eancia incapaz de dar uma resposta. Por\u00e9m, as duas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o contradit\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>De um ponto de vista biol\u00f3gico, o v\u00edrus n\u00e3o faz qualquer diferencia\u00e7\u00e3o de acordo com caracter\u00edsticas s\u00f3cio-econ\u00f3micas, regionais, \u00e9tnicas ou religiosas. Contudo, a probabilidade de contrair a doen\u00e7a COVID-19, de ser infectado pelo v\u00edrus, depende de comportamentos e ambientes que s\u00e3o influenciados pelo contexto s\u00f3cio-econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O risco de contrair COVID-19 e de ter maiores complica\u00e7\u00f5es com a doen\u00e7a aumenta com a idade, qualquer que seja a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f3mica da pessoa afectada. \u00c9 a parte democr\u00e1tica. O risco que est\u00e1 associado com ir de transportes p\u00fablicos para o local de trabalho depende da possibilidade de fazer teletrabalho, que \u00e9 frequentemente maior em profissionais com sal\u00e1rios mais elevados. O risco deixa de ser t\u00e3o democr\u00e1tico. A possibilidade de confinamento e isolamento eficaz e menos penoso depende das condi\u00e7\u00f5es da habita\u00e7\u00e3o. O risco definitivamente \u00e9 menos democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos assim ter desigualdades s\u00f3cio-econ\u00f3micas que geram maiores riscos de doen\u00e7a, que por sua vez acentuam as desigualdades de partida. Podemos ter consequ\u00eancias econ\u00f3micas da pandemia e das medidas adoptadas que refor\u00e7am as desigualdades, com um impacto econ\u00f3mico que se adiciona ao potencial impacto de sa\u00fade da doen\u00e7a. Conceptualmente, h\u00e1 ainda um outro momento em que desigualdades existentes pode agravar as consequ\u00eancias da pandemia: se existirem desigualdades de acesso a cuidados de sa\u00fade que se encontrem associadas a n\u00edvels de rendimento, a que se dar\u00e1 aten\u00e7\u00e3o abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o tenha uma quantifica\u00e7\u00e3o precisa destes factores, o projecto internacional <a href=\"https:\/\/www.hche.uni-hamburg.de\/forschung\/corona\/countering-corona---first-results-new.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Countering COVID-19: A European survey on acceptability and commitment to preventive measures (opens in a new tab)\"><em>Countering COVID-19: A European survey on acceptability and commitment to preventive measures<\/em><\/a>, entre a Nova School of Business and Economics, o Hamburg Center for Health Economics da Universidade Hamburgo, a Universidade Luigi Bocconi e a Universidade Eramsus de Roterd\u00e3o, a que responderam 1064 pessoas em Portugal, representativas da popula\u00e7\u00e3o portuguesa, e 8575 no conjunto dos pa\u00edses abrangidos, permite perceber alguns destes efeitos que a COVID-19 possa ter produzido em Portugal e dar uma breve compara\u00e7\u00e3o europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para avaliar o n\u00edvel de vida e capacidade financeira das fam\u00edlias foi utilizada uma pergunta de natureza qualitativa, questionando sobre a capacidade do rendimento mensal assegurar uma vida normal, havendo quatro categorias de resposta (com grande dificuldade, com alguma dificuldade, razoavelmente, com facilidade). A primeira quest\u00e3o de cruzamento com este elemento de rendimento\/riqueza das fam\u00edlias \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o do risco individual de ser infectado, qual a preocupa\u00e7\u00e3o, numa escala de 1 a 5, de nenhuma a muita preocupa\u00e7\u00e3o, de tal suceder. No momento da recolha das respostas, as primeiras duas semanas de abril de 2020, as diferen\u00e7as m\u00e9dias de preocupa\u00e7\u00e3o entre pessoas de diferentes capacidades financeiras n\u00e3o eram grandes. Em sentido estat\u00edstico, n\u00e3o se pode afirmar que provenham de n\u00edveis de preocupa\u00e7\u00e3o diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma segunda quest\u00e3o, pr\u00f3xima da anterior, incidiu sobre conhecer o grau de preocupa\u00e7\u00e3o com o risco para a sa\u00fade da COVID-19. Encontra-se, agora, uma maior diferen\u00e7a entre respostas de acordo com a capacidade financeira, sendo os inquiridos com menor capacidade financeira os mais preocupados com este risco. Embora a capacidade financeira n\u00e3o seja diferenciadora na preocupa\u00e7\u00e3o com contrair e com o risco para a sa\u00fade da COVID-19, h\u00e1 outras caracter\u00edsticas individuais que est\u00e3o associadas a diferentes n\u00edveis de preocupa\u00e7\u00e3o. Sem surpresa, a idade \u00e9 uma dessas caracter\u00edsticas. Refletindo a informa\u00e7\u00e3o amplamente divulgada de maior mortalidade em idades mais avan\u00e7adas, quem tem mais anos de vida apresentou um maior n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o. A consci\u00eancia de que a idade \u00e9 um factor de risco para a COVID-19 est\u00e1, pois, presente. Contudo, este efeito n\u00e3o \u00e9 sempre crescente com a idade. As pessoas com 65 anos ou mais reportam menor preocupa\u00e7\u00e3o, em m\u00e9dia, que os grupos et\u00e1rios mais novos (exceptuando os abaixo de 35 anos). Igualmente sem surpresa, quem exerce uma profiss\u00e3o ligada \u00e0 sa\u00fade ou ao retalho alimentar apresenta um maior n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o, resultado prov\u00e1vel de serem atividades profissionais com maior exposi\u00e7\u00e3o ao risco de contrair a COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, ter atividade profissional levada ao ensino (escolas) n\u00e3o surge como estando associado a maiores receios com a COVID-19, depois de se ter em conta os restantes factores, nomeadamente a idade. Face a toda a discuss\u00e3o que tem existido sobre a reabertura das escolas, de momento a ocorrer de modo faseado, n\u00e3o se encontrou um n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o acima da apresentada pela popula\u00e7\u00e3o geral, dado o grupo et\u00e1rio em que esses profissionais se situam. Como a maior, ou menor, capacidade financeira se pode traduzir numa menor, ou maior, utiliza\u00e7\u00e3o de transportes p\u00fablicos, o apoio a politicas de suspens\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de transportes p\u00fablicos, como forma de reduzir cont\u00e1gio, pode receber maior apoio das fam\u00edlias com menor capacidade financeira (por estarem mais expostas ao cont\u00e1gio nesse contexto) ou pode receber menor apoio dessas mesmas fam\u00edlias (por necessidade da sua utiliza\u00e7\u00e3o por motivos profissionais e de rendimento).<\/p>\n\n\n\n<p>As respostas obtidas d\u00e3o, marginalmente, maior apoio \u00e0 paragem dos transportes p\u00fablicos por quem tem maior capacidade financeira. Este resultado, em valores m\u00e9dios da escala de classifica\u00e7\u00e3o por grupo de capacidade financeira, sugere que o elemento de preocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica associada com a falta de transporte p\u00fablico \u00e9 mais forte que o elemento de preocupa\u00e7\u00e3o com o risco de doen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, um efeito muito forte. Em sentido estat\u00edstico, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que haja diferen\u00e7as substantivas de opini\u00e3o de acordo com o grau de conforto econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de preocupa\u00e7\u00e3o com os aspectos econ\u00f3micos da pandemia, quatro perguntas s\u00e3o interessantes para a discuss\u00e3o: a) preocupa\u00e7\u00e3o com a sobrecarga do sistema de sa\u00fade, b) preocupa\u00e7\u00e3o com os efeitos sobre as pequenas e m\u00e9dias empresas; c) preocupa\u00e7\u00e3o com uma recess\u00e3o econ\u00f3mica; e d) preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a sobrecarga do sistema de sa\u00fade \u00e9 uma forma indirecta de avaliar a maior ou menor facilidade de acesso a cuidados de sa\u00fade que as pessoas percepcionam, tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da sua capacidade financeira de procurar alternativas. A hip\u00f3tese de trabalho assumida \u00e9 a de que pessoas que sentem maior facilidade de acesso ao sistema de sa\u00fade e menor risco de infe\u00e7\u00e3o ir\u00e3o ter menos receio de sobrecarga do sistema de sa\u00fade. Quem tem maior conforto financeiro poder\u00e1, al\u00e9m de um menor risco de contrair a COVID-19, possuir um maior acesso a cuidados de sa\u00fade (por exemplo, recorrendo ao sector privado). As diferen\u00e7as que possam existir quanto \u00e0 possibilidade de ser infectado s\u00e3o directamente abordadas noutra quest\u00e3o, como se viu.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas estas perguntas, as respostas apresentam diferen\u00e7as de acordo com a capacidade econ\u00f3mica de quem responde, em que o maior n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o surge nas pessoas que declaram ter menor capacidade financeira. O efeito, por\u00e9m, s\u00f3 \u00e9 acentuado, no sentido de diferen\u00e7as entre categorias de capacidade financeira que s\u00e3o estatisticamente significativas, quando se trata da possibilidade de desemprego. E surge tamb\u00e9m mais forte nos inquiridos com atividade ligada ao retalho alimentar e nos que t\u00eam menos de 45 anos. Situa\u00e7\u00f5es com maior precariedade laboral, seja pela \u00e1rea seja pela idade, levam, naturalmente a maior preocupa\u00e7\u00e3o. Preocupa\u00e7\u00e3o essa que est\u00e1, como seria de esperar, ausente nas pessoas com 65 anos ou mais que se encontram maioritariamente na situa\u00e7\u00e3o de reforma. Resulta daqui que os efeitos econ\u00f3micos da pandemia s\u00e3o sentidos de forma diferente entre grupos com distinta capacidade (conforto) econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contexto internacional, compara-se brevemente Portugal com os outros pa\u00edses inclu\u00eddos no mesmo inqu\u00e9rito (Alemanha, Dinamarca, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Pa\u00edses Baixos e Reino Unido). A n\u00edvel europeu, a preocupa\u00e7\u00e3o com a sobrecarga dos sistema de sa\u00fade (em cada um dos pa\u00edses) apresenta, globalmente, um claro efeito associado com o grau de capacidade financeira (quanto maior \u00e9, menor preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 manifestada). A menor preocupa\u00e7\u00e3o surge na Dinamarca, enquanto \u00e9 em Portugal e It\u00e1lia que existe o maior n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o com uma eventual situa\u00e7\u00e3o de desemprego tem a n\u00edvel destes pa\u00edses, tomados em conjunto, uma rela\u00e7\u00e3o negativa entre maior capacidade financeira e menor preocupa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Portugal que esta potencial assimetria no impacto social da COVID-19 se manifesta. A maior preocupa\u00e7\u00e3o com essa possibilidade nas pessoas com atividade profissional no retalho alimentar \u00e9 partilhada. Os pa\u00edses onde o desemprego preocupa mais as pessoas s\u00e3o, novamente, It\u00e1lia e Portugal, e onde \u00e9 menor \u00e9 em Fran\u00e7a e nos Pa\u00edses Baixos, estando os restantes pa\u00edses numa situa\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Globalmente, Portugal \u00e9 um pa\u00eds onde as pessoas t\u00eam maior preocupa\u00e7\u00e3o com as consequ\u00eancias econ\u00f3micas da pandemia e esperam um efeito negativo maior quanto menor \u00e9 o seu grau de capacidade financeira para mensalmente fazer face \u00e0s despesas habituais de vida. Em contrapartida, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as grandes na forma de encarar o risco de infec\u00e7\u00e3o ou o grau de gravidade da COVID-19 que estejam associadas com a capacidade financeira. Neste aspecto, Portugal est\u00e1 em linha com o que se passa nos outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora estes n\u00e3o sejam dados que me\u00e7am directamente as consequ\u00eancias da pandemia sobre diferentes grupos da popula\u00e7\u00e3o, com diferentes n\u00edveis socio-econ\u00f3micos, n\u00e3o deixam de transmitir um sinal claro de que a pandemia COVID-19 tem potencial para agravar desigualdades sociais, atrav\u00e9s do seu impacto econ\u00f3mico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 jun 2020 Pedro Pita BarrosProfessor Catedr\u00e1tico da Nova SBE, Universidade NOVA de Lisboa Tem sido frequente dizer-se que o v\u00edrus da COVID-19 afecta toda a gente e como tal \u00e9 um v\u00edrus democr\u00e1tico. Mas tamb\u00e9m se tem dito que a COVID-19 aumenta as desigualdades (sociais) existentes. 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