{"id":2851,"date":"2020-07-07T09:18:22","date_gmt":"2020-07-07T09:18:22","guid":{"rendered":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=2851"},"modified":"2020-07-07T09:18:55","modified_gmt":"2020-07-07T09:18:55","slug":"lisboa-mobilidade-e-casos-da-covid-19-vivendo-com-o-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=2851","title":{"rendered":"Lisboa, mobilidade e casos da COVID-19 \u2013 Vivendo com o coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>7 jul 2020<\/em><\/p>\n\n\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-2111\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros-300x294.png\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros-300x294.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros-768x753.png 768w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/pedro-pita-barros.png 800w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/>Pedro Pita Barros<br><\/strong><em>Professor Catedr\u00e1tico da Nova SBE, Universidade NOVA de Lisboa<\/em><strong><br><\/strong><\/p>\n\n\n<p>Tem ganho destaque nos \u00faltimos tempos o crescimento do n\u00famero de casos de COVID-19 na zona de Lisboa. Diversas explica\u00e7\u00f5es t\u00eam sido avan\u00e7adas, mas sem haver ainda uma clara defini\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 por detr\u00e1s desse crescimento. Considerando o per\u00edodo desde 11 de maio (uma semana depois do in\u00edcio do processo de reabertura da sociedade e da economia), verifica-se a regularidade de um crescimento linear do n\u00famero de novos casos. \u00c9 um crescimento pequeno, quando visto em m\u00e9dia di\u00e1ria de acr\u00e9scimo, mas persistente. Ao fim de 7 semanas j\u00e1 quase duplicou o n\u00famero de novos casos (por dia) em m\u00e9dia. N\u00e3o sendo ainda uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, \u00e9 claramente uma evolu\u00e7\u00e3o que se torna necess\u00e1rio travar.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Embora seja f\u00e1cil argumentar que foi um desconfinamento demasiado r\u00e1pido, os n\u00fameros de mobilidade indicam que o retomar da atividade normal em termos de desloca\u00e7\u00f5es at\u00e9 estar a ser mais lenta na zona de Lisboa do que no resto do pa\u00eds, em todas as categorias de mobilidade, incluindo lazer e praias e parques, por um lado, e desloca\u00e7\u00f5es mais ligadas a atividade profissional, por outro lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes n\u00fameros corroboram de algum modo as preocupa\u00e7\u00f5es com as condi\u00e7\u00f5es de vida (habita\u00e7\u00e3o e desloca\u00e7\u00f5es para o emprego) da popula\u00e7\u00e3o residentes nas zonas que mais t\u00eam contribu\u00eddo para este crescimento (e que foram sujeitas a medidas adicionais de restri\u00e7\u00e3o de mobilidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Tentando sistematizar:<\/p>\n\n\n\n<ol><li>O n\u00famero de novos casos em \u00e1reas espec\u00edficas da zona de Lisboa tem tido um crescimento linear nas \u00faltimas 7 semanas (ver figura abaixo).<\/li><li>O n\u00famero de novos casos no resto do pa\u00eds tem sido baixo, mas constante, praticamente sem crescimento, e caracterizado sobretudo por surtos (o que significa que a maior parte do pa\u00eds est\u00e1 sem sobressalto).<\/li><li>N\u00famero de doentes internados e doentes internados em UCI baixou muito at\u00e9 ao in\u00edcio do Junho, voltou a subir devagar a partir da\u00ed (consequ\u00eancia de estar a ocorrer um crescimento lento, mas persistente, de novos casos di\u00e1rios) (ver figuras no final).<\/li><li>A press\u00e3o sobre os hospitais da zona de Lisboa est\u00e1 a subir e a fazer-se sentir com not\u00edcias sobre a necessidade de coordena\u00e7\u00e3o para partilha de esfor\u00e7os.<\/li><li>Na zona de Lisboa, quase duas dezenas de freguesias voltaram a ter medidas mais apertadas; desloca\u00e7\u00f5es para trabalho continuam a ser poss\u00edveis.<\/li><li>Com o aumento do n\u00famero de infetados (os novos casos est\u00e3o a crescer mais rapidamente que o n\u00famero de pessoas que deixa de estar infetada), h\u00e1 a necessidade de recursos humanos para seguimento de linhas de cont\u00e1gio, uma necessidade previs\u00edvel desde o in\u00edcio do processo de abertura. Aparenta n\u00e3o ter sido feito, se atendermos a declara\u00e7\u00f5es que t\u00eam sido feitos pelo presidente da associa\u00e7\u00e3o nacional de m\u00e9dicos de sa\u00fade p\u00fablica.<\/li><li>A realiza\u00e7\u00e3o de testes para encontrar quem esteja infetado mesmo que n\u00e3o apresente (ainda) sintomas n\u00e3o tem sido um problema.<\/li><li>Quando se fala da zona de Lisboa e se olha para o padr\u00e3o de mobilidade das \u00faltimas semanas, disponibilizado pela Google, v\u00ea-se que o problema n\u00e3o tem sido o aumento dessa mobilidade, que foi menor na regi\u00e3o de Lisboa do que no resto do pa\u00eds. N\u00e3o foi tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de surtos pontuais muito volumosos. (figuras abaixo)<\/li><li>A press\u00e3o pol\u00edtica est\u00e1 a aumentar sobre o Governo, sendo que a aposta na fase final da Liga dos Campe\u00f5es e alguma outra comunica\u00e7\u00e3o menos bem conseguida conseguiram gerar confus\u00e3o desnecess\u00e1ria, que acresce \u00e0 press\u00e3o dos n\u00fameros.<\/li><li>Olhando para a experi\u00eancia de outros pa\u00edses, e dada a dissemina\u00e7\u00e3o da COVID-19 em pa\u00edses com os quais temos liga\u00e7\u00f5es a\u00e9reas frequentes (com a frequ\u00eancia que o tempo atual deixa), \u00e9 necess\u00e1rio ter um controle apertado \u00e0 entrada, para encontrar e isolar os casos importados (a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se v\u00e3o existir, e sim se v\u00e3o ser encontrados a tempo de evitar propaga\u00e7\u00e3o interna). Quando se fala em abrir novamente ao turismo, este \u00e9 um aspeto fulcral, para seguran\u00e7a de quem c\u00e1 est\u00e1 e de quem vem.&nbsp;<\/li><li>Neste momento, t\u00e3o importante como assegurar que existem os meios humanos e t\u00e9cnicos necess\u00e1rios, bem como a rapidez de decis\u00e3o na interven\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio sentir que n\u00e3o h\u00e1 fadiga governamental.<\/li><li>H\u00e1 que definir rapidamente estrat\u00e9gias que permitam quebrar as cadeias de cont\u00e1gio mais cedo. Para isso, \u00e9 preciso haver conhecimento atempado dos processos de cont\u00e1gio (o que tem sido menos bem conseguido) e interven\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das autoridades de sa\u00fade, depois de detetados casos (o que tem sucedido).<\/li><li>Para onde olhar? Para onde j\u00e1 se tinha identificado que poderiam surgir problemas \u2013 transportes p\u00fablicos, capacidade de isolamento em contexto de habita\u00e7\u00e3o conjunta, grupos dif\u00edceis de rastrear, como imigrantes a trabalhar em obras ou servi\u00e7os onde a informalidade lhes permite laborar. Perceber como \u00e9 que a combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios destes fatores faz com que haja problemas na zona de Lisboa mas n\u00e3o noutras zonas do pa\u00eds onde as mesmas atividades tamb\u00e9m est\u00e3o presentes.<\/li><li>Uma palavra final para a tens\u00e3o pol\u00edtica em crescendo e que aparenta, segundo alguns relatos, ter envolvido tamb\u00e9m alguma tens\u00e3o com a equipa t\u00e9cnica de apoio. N\u00e3o \u00e9 claro o que se passou, mas na verdade \u00e9 mais importante o que venha a passar. Parece-me que ser\u00e1 \u00fatil ter reuni\u00f5es fechadas em que os membros do Governo, com a responsabilidade da decis\u00e3o pol\u00edtica, possam discutir livremente com os t\u00e9cnicos, sem receio de que essa discuss\u00e3o seja transformada em instrumento de luta pol\u00edtica. E s\u00f3 depois haver as reuni\u00f5es t\u00e9cnicas mais abertas (mas onde j\u00e1 n\u00e3o dever\u00e1 ser o Governo a colocar as suas quest\u00f5es e d\u00favidas). Ser\u00e1 tamb\u00e9m \u00fatil que o trabalho t\u00e9cnico de suporte tenha uma aprecia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica interna, tamb\u00e9m ela reservada de forma a garantir que \u00e9 gerado o melhor conhecimento para a decis\u00e3o pol\u00edtica. No contexto pol\u00edtico em que come\u00e7a a emergir nos \u00faltimos dias, o modelo atual de reuni\u00f5es no Infarmed estar\u00e1 provavelmente esgotado e ser\u00e1 repensado.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2852\" width=\"768\" height=\"558\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_1.png 1024w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_1-300x218.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_1-768x558.png 768w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2853\" width=\"1024\" height=\"685\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_2.png 1024w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_2-300x201.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_2-768x514.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2854\" width=\"1022\" height=\"642\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_3.png 1022w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_3-300x188.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_3-768x482.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1022px) 100vw, 1022px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2855\" width=\"977\" height=\"643\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_4.png 977w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_4-300x197.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_4-768x505.png 768w\" sizes=\"(max-width: 977px) 100vw, 977px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2856\" width=\"768\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_5.png 1024w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_5-300x220.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_5-768x563.png 768w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2857\" width=\"768\" height=\"557\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_6.png 1024w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_6-300x218.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ppb_artigo42_6-768x557.png 768w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">*Artigo publicado no blogue <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Momentos Econ\u00f3micos (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/momentoseconomicos.com\/2020\/06\/29\/lisboa-mobilidade-e-casos-da-covid-19-vivendo-com-o-coronavirus-42\/\" target=\"_blank\">Momentos Econ\u00f3micos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>7 jul 2020 Pedro Pita BarrosProfessor Catedr\u00e1tico da Nova SBE, Universidade NOVA de Lisboa Tem ganho destaque nos \u00faltimos tempos o crescimento do n\u00famero de casos de COVID-19 na zona de Lisboa. 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