{"id":627,"date":"2020-04-02T13:16:19","date_gmt":"2020-04-02T13:16:19","guid":{"rendered":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=627"},"modified":"2020-04-03T14:59:35","modified_gmt":"2020-04-03T14:59:35","slug":"tempo-para-algumas-licoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=627","title":{"rendered":"Tempo para algumas li\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>1 abr 2020<\/em><\/p>\n\n\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-635 alignleft\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata.png 800w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata-300x300.png 300w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata-150x150.png 150w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fragata-768x768.png 768w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Jos\u00e9 Fragata<\/strong><\/em><br \/><em>Cirurgi\u00e3o Cardiotor\u00e1cico<br \/>Vice-Reitor da Universidade NOVA de Lisboa<br \/>Professor Catedr\u00e1tico da NOVA Medical School | Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas<\/em><\/p>\n<p>O mundo debate-se, hoje, com uma luta sem precedentes. A pandemia COVID-19 j\u00e1 infetou 750.000 pessoas e ceifou a vida a cerca de 35.000.<\/p>\n<p>As gera\u00e7\u00f5es atuais n\u00e3o t\u00eam mem\u00f3ria de pandemias com impacto relevante, mas elas sempre existiram. C\u00f3lera, Febre Amarela, Influenza, Gripe Espanhola, VIH-SIDA, SARS, \u00c9bola e, agora, COVID 19 custaram milh\u00f5es de vidas.<\/p>\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>As\npandemias t\u00eam sido, mais recentemente, facilitadas pelas intera\u00e7\u00f5es entre\nhumanos e animais, pela vida comunit\u00e1ria em grandes agregados, pelas viagens e\nrotas facilitadas e por toda uma interfer\u00eancia prejudicial entre consumo e ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos\nainda no in\u00edcio desta nova pandemia, que muitos, por analogia com outras de\ntipo viral semelhante, esperam poder vir a terminar no hemisf\u00e9rio norte at\u00e9 ao\nver\u00e3o, apesar da sua maior contagiosidade. No entanto, \u00e9 poss\u00edvel tirar, desde\nj\u00e1, algumas ila\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Refiro-me\n\u00e0s perversidades da globaliza\u00e7\u00e3o, aos mitos da invencibilidade, \u00e0 inadequada\nprioriza\u00e7\u00e3o dos interesses e \u00e0s li\u00e7\u00f5es para os sistemas de sa\u00fade. Mas tamb\u00e9m \u00e0s\nli\u00e7\u00f5es, t\u00e3o edificantes, da melhor consci\u00eancia social dos portugueses, perante\na adversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;globaliza\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00e9 um processo de integra\u00e7\u00e3o&nbsp;econ\u00f3mica,&nbsp;social,&nbsp;cultural&nbsp;e&nbsp;pol\u00edtica, impulsionado no final do&nbsp;s\u00e9culo XX&nbsp;e que trouxe ineg\u00e1veis vantagens. Por\u00e9m, no dizer do Nobel Joseph Stiglitz, teve muitos <em>discontents<\/em>, e estes n\u00e3o ter\u00e3o sido s\u00f3 os econ\u00f3micos. Assim, persistem grandes assimetrias nos costumes, nos valores e direitos da cidadania, o mesmo para a transpar\u00eancia e para a liberdade de informa\u00e7\u00e3o. Se a globaliza\u00e7\u00e3o induz o aparecimento e facilita a propaga\u00e7\u00e3o das pandemias, as assimetrias referidas n\u00e3o tornam f\u00e1cil o seu conhecimento atempado. O caso presente \u00e9 disso exemplo lament\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o mundo ocidental, abastado nos meios e sup\u00e9rfluo na\ntecnologia, tem-se mantido, confortavelmente, afastado de guerras, poupado \u00e0\ndevasta\u00e7\u00e3o dos grandes desastres ambientais a que vimos assistindo, \u00e0 dist\u00e2ncia\nde um ecr\u00e3 de televis\u00e3o, comovidos pela emo\u00e7\u00e3o sincera, mas passageira. Esta\npandemia era mais um desastre infecioso, no oriente distante, apoiado com a\nsolidariedade f\u00e1cil de quem se solidariza, estando longe. Contudo, a\nglobaliza\u00e7\u00e3o tornou-o pr\u00f3ximo e o ocidente, agora j\u00e1 o mundo todo, partilha da\nsua devasta\u00e7\u00e3o, que pens\u00e1vamos n\u00e3o beliscar, mais do que ao de leve, a nossa\npretensa invencibilidade. Afinal, estamos vulner\u00e1veis. Muito mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, assistimos \u00e0 hesita\u00e7\u00e3o dos decisores que, perante informa\u00e7\u00f5es\nimprecisas e desfocadas que chegavam do oriente, confrontados com pareceres\nt\u00e9cnicos brandos e assustados pela conflitualidade dos interesses pol\u00edticos e\necon\u00f3micos em jogo, manifestaram, no in\u00edcio, uma atordoada capacidade de\ndecidir as necess\u00e1rias medidas para combater a pandemia que se avizinhava. &nbsp;Portugal ter\u00e1 sido uma razo\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o, mas\npesou, para muitos, a pol\u00edtica, o receio do impacto econ\u00f3mico e a nega\u00e7\u00e3o de\nque o pior viesse, como veio, a acontecer. N\u00e3o devia haver prioridade maior do\nque a da Sa\u00fade. E n\u00e3o h\u00e1, certamente, bem maior a priorizar do que a Vida. Esta\n\u00e9 a li\u00e7\u00e3o que deveria ficar-nos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pandemia tamb\u00e9m nos deixa algumas reflex\u00f5essobre cuidados de sa\u00fade.\nMostrou-nos que temos de ter um servi\u00e7o de sa\u00fade geral, assente numa s\u00f3lida\nsa\u00fade p\u00fablica, certamente com meios (apesar de ser totalmente imposs\u00edvel acautelar\nos meios suficientes face a tanta demanda de pico), mas sobretudo com uma\norganiza\u00e7\u00e3o recrut\u00e1vel, flex\u00edvel e resiliente. Para quem levou tanto tempo a\nesgrimir entre p\u00fablico e privado, aqui est\u00e1 a resposta servida pela pandemia:\np\u00fablico, privado e social, precisamos de tudo e devemos incluir todos. Necessitamos\nde todos os meios de que dispomos e de tantos mais que possamos recrutar.\nNecessitamos de um sistema de sa\u00fade com plena integra\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e uma\nenorme resili\u00eancia, em caso de cat\u00e1strofe, pois, destas, haver\u00e1 futuras. O peso\nda necessidade dilui posi\u00e7\u00f5es de mera ideologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise pand\u00e9mica trouxe tamb\u00e9m \u00e0 luz a afirma\u00e7\u00e3o de uma Sociedade\nPortuguesa plena e solid\u00e1ria. S\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es por parte do Governo, que tem\nestado bem, da Ind\u00fastria, dos Servi\u00e7os, das Associa\u00e7\u00f5es e, muito em particular,\ndos Cidad\u00e3os. Todos praticantes de uma cidadania respons\u00e1vel, solid\u00e1ria e exemplar,\nna resposta coletiva \u00e0 adversidade da pandemia. Manifesta\u00e7\u00e3o que, n\u00e3o nos\ntirando das preocupa\u00e7\u00f5es, nos reassegura da capacidade de TODOS juntos vencermos\nesta crise e aprendermos dela as li\u00e7\u00f5es que forem poss\u00edveis. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 abr 2020 Jos\u00e9 FragataCirurgi\u00e3o Cardiotor\u00e1cicoVice-Reitor da Universidade NOVA de LisboaProfessor Catedr\u00e1tico da NOVA Medical School | Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas O mundo debate-se, hoje, com uma luta sem precedentes. A pandemia COVID-19 j\u00e1 infetou 750.000 pessoas e ceifou a vida a cerca de 35.000. 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