{"id":923,"date":"2020-04-07T17:21:25","date_gmt":"2020-04-07T17:21:25","guid":{"rendered":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=923"},"modified":"2020-04-08T14:16:33","modified_gmt":"2020-04-08T14:16:33","slug":"objetivo-manter-r_0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/covid360.unl.pt\/?p=923","title":{"rendered":"Objetivo: manter R0<1 enquanto relan\u00e7amos a economia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\">7<em> abr 2020<\/em><\/p>\n\n\n<p><em><strong><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-924 alignleft\" src=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pedro_santa_clara_redondo.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pedro_santa_clara_redondo.png 200w, https:\/\/covid360.unl.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/pedro_santa_clara_redondo-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/>Pedro Santa Clara<\/strong><br \/><\/em><em>Professor de Finan\u00e7as na Nova School of Business &amp; Economics (em licen\u00e7a sem vencimento)<\/em><\/p>\n<p>A din\u00e2mica das epidemias \u00e9 governada por um n\u00famero simples, o n\u00famero b\u00e1sico de reprodu\u00e7\u00e3o R<sub>0<\/sub>, isto \u00e9, o n\u00famero m\u00e9dio de pessoas que cada infetado contagia por sua vez. Se R<sub>0 <\/sub>for menor que 1, a epidemia tende a desaparecer. Enquanto for maior que 1, a epidemia n\u00e3o para de crescer. Infelizmente, no caso da Covid-19, o valor de R<sub>0 <\/sub>\u00e9 muito alto, da ordem de 2.5. Da\u00ed o crescimento exponencial da infe\u00e7\u00e3o na fase inicial que se observa por todo o mundo.<\/p>\n<p><!--more-->Para tentar reduzir o coeficiente R<sub>0<\/sub>, Portugal, tal como muitos outros pa\u00edses, decretou um conjunto de regras severas de afastamento social, uma quarentena ou lockdown. A ideia \u00e9 simples, se estivermos todos em casa, n\u00e3o h\u00e1 forma de transmitir o v\u00edrus. No limite, se consegu\u00edssemos manter o afastamento completo, R<sub>0 <\/sub>seria igual a zero. A quarentena imposta nesta fase inicial da epidemia \u00e9 particularmente importante para n\u00e3o ultrapassar a capacidade de atendimento em cuidados intensivos exigida para uma pequena percentagem de casos muito graves. Felizmente, os resultados da progress\u00e3o da epidemia no nosso pa\u00eds s\u00e3o animadores at\u00e9 \u00e0 data, validando a quarentena imposta.<\/p>\n<p>Infelizmente, \u00e9 de prever que esta quarentena tenha efeitos devastadores na economia. Nos Estados Unidos vimos 10 milh\u00f5es de novos desempregados nas \u00faltimas duas semanas. N\u00e3o temos ainda estat\u00edsticas para medir o efeito da epidemia na economia Portuguesa, mas tudo leva a supor que seja igualmente catastr\u00f3fico, com previs\u00f5es de uma recess\u00e3o bem pior do que a de 2012. N\u00e3o se pense que, quando me preocupo com a economia, esteja a falar apenas de euros ou da bolsa. Uma recess\u00e3o tem um custo muito grande em vidas humanas \u2013 o livro \u201cDeaths of Despair\u201d de Anne Case e Angus Deaton (Pr\u00e9mio Nobel da Economia de 2015) mostra como o desespero econ\u00f3mico reduz significativamente a esperan\u00e7a de vida por drogas, alcoolismo e suic\u00eddio.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 assim poss\u00edvel manter a economia fechada durante muito mais tempo e urge come\u00e7ar j\u00e1 a pensar na pr\u00f3xima batalha, o per\u00edodo p\u00f3s-quarentena. A quest\u00e3o que se p\u00f5e \u00e9 como relan\u00e7ar a economia ap\u00f3s o lockdown, numa altura em que o v\u00edrus n\u00e3o tenha desaparecido completamente e enquanto uma grande percentagem da popula\u00e7\u00e3o continue suscet\u00edvel \u00e0 infe\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Penso que a simples regra R<sub>0<\/sub>&lt;1 ajuda muito a pensar nas medidas que devemos implementar p\u00f3s-quarentena. O aspeto cr\u00edtico \u00e9 que n\u00e3o precisamos que R<sub>0 <\/sub>seja igual a 0 para extinguir a epidemia, basta que seja menor que um. Nesse sentido n\u00e3o precisamos de medidas perfeitas que eliminem totalmente o cont\u00e1gio, mas sim de um conjunto de medidas que mantenham R<sub>0<\/sub>&lt;1.<\/p>\n<p>Por exemplo, temos ouvido mil vezes que a chave para controlar a epidemia \u00e9 testar, testar, testar. Obviamente, se f\u00f4ssemos capazes de testar toda a gente de manh\u00e3 antes de sair para o trabalho, acab\u00e1vamos com a epidemia num instante: quem testasse positivo ficava em casa. O problema \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 testes suficientes e s\u00e3o muito caros pelo que esta solu\u00e7\u00e3o possa ser aplicada na pr\u00e1tica. Mas h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que \u00e9 f\u00e1cil de aplicar: com um term\u00f3metro, podemos ver se temos febre e, nesse caso, ficar em casa. \u00c9 certo que \u00e9 um teste muito imperfeito. Mas contribui para baixar R<sub>0<\/sub>. E, lembremo-nos que n\u00e3o temos que levar o coeficiente para zero, mas apenas mant\u00ea-lo abaixo de 1. Esta medida isoladamente n\u00e3o chega. Mas ajuda!<\/p>\n<p>Neste sentido, o engenho humano pode dar um enorme contributo. Recentemente, Christian Gollier e Olivier Gossner sugeriram um processo para testar pessoas em grupo, poupando testes escassos, como forma de autorizar pessoas para sa\u00edrem de casas para trabalhar.<\/p>\n<p>Temos falado muitas vezes da efic\u00e1cia da utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras e luvas pela popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei nada de m\u00e1scaras PFF1 ou PFF3, mas tenho a certeza que um simples len\u00e7o amarrado \u00e0 volta da cabe\u00e7a ajuda. N\u00e3o impede completamente a transmiss\u00e3o. Mas contribui para manter R<sub>0<\/sub>&lt;1.<\/p>\n<p>De igual forma, devemos continuar o esfor\u00e7o de limpeza e desinfe\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos, manter a proibi\u00e7\u00e3o de grandes ajuntamentos e algumas medidas de afastamento social que n\u00e3o sejam demasiado destrutivas da atividade econ\u00f3mica. N\u00e3o s\u00e3o completamente eficazes, \u00e9 certo. Mas ajudam!<\/p>\n<p>Apps para smartphones tamb\u00e9m podem ajudar muito para fazer o contact tracing e manter pessoas em quarentena seletiva. Aqui h\u00e1 que tentar encontrar um equil\u00edbrio razo\u00e1vel entre a privacidade de cada um e o benef\u00edcio coletivo, mas n\u00e3o tenho d\u00favidas que pode haver grandes contributos da tecnologia para o controlo da epidemia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podem surgir muitas ideias da an\u00e1lise de dados da epidemia. Preocupa-me que n\u00e3o tenha havido ainda uma partilha de dados anonimizados para a comunidade cient\u00edfica poder p\u00f4r os seus talentos ao servi\u00e7o da sociedade.<\/p>\n<p>Repito: cada uma destas medidas n\u00e3o tem que ser eficaz por si s\u00f3, basta que, em conjunto, contribuam para manter R<sub>0 <\/sub>abaixo de 1 e a epidemia desaparece.<\/p>\n<p>Obviamente, enquanto n\u00e3o houver uma vacina ou tratamento da doen\u00e7a, temos que manter o lockdown dos mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o, os mais idosos e os que t\u00eam doen\u00e7as cr\u00f3nicas.<\/p>\n<p>Assistimos recentemente \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o dos cientistas e das empresas tecnol\u00f3gicas nacionais para a produ\u00e7\u00e3o de desinfetantes, m\u00e1scaras e at\u00e9 mesmo ventiladores. Est\u00e1 na altura de recolher todas as ideias para controlar a epidemia de uma maneira que permita a retoma econ\u00f3mica. Tenho a certeza que, com tanta gente criativa \u00e0 nossa volta, com vontade de contribuir para resolver a crise nacional, n\u00e3o v\u00e3o faltar boas ideias.<\/p>\n<p>Todos podem ajudar!<\/p>\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"> * Artigo publicado no<strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/detalhe\/objetivo-manter-r01-enquanto-relancamos-a-economia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Jornal de Neg\u00f3cios. (opens in a new tab)\">Jornal de Neg\u00f3cios.<\/a><\/strong> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>7 abr 2020 Pedro Santa ClaraProfessor de Finan\u00e7as na Nova School of Business &amp; Economics (em licen\u00e7a sem vencimento) A din\u00e2mica das epidemias \u00e9 governada por um n\u00famero simples, o n\u00famero b\u00e1sico de reprodu\u00e7\u00e3o R0, isto \u00e9, o n\u00famero m\u00e9dio de pessoas que cada infetado contagia por sua vez. 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